Centro Hospitalar Veterinário

  • Mastocitoma felino cutâneo

Mastocitoma no gato

 
 
Definição
 
O Mastocitoma é a segunda neoplasia mais comum no gato nos EUA, sendo que a prevalência no Reino Unido aparenta ser bastante inferior. Embora não haja estudos em Portugal, a experiência clínica parece comprovar a menor ocorrência desta neoplasia nos gatos no nosso país.
Trata-se de uma neoplasia com origem nos mastócitos que são células inflamatórias responsáveis pela reposta alérgica. Estes tumores podem ter um comportamento benigno ou maligno.
Os mastocitomas felinos são classificados pela sua localização anatómica em:
Mastocitomas cutâneos- Localizados na pele, sobretudo na zona da cabeça, possuem habitualmente um comportamento benigno. Os mastocitomas cutâneos subdividem-se ainda nas formas mastocítica e histiocítica. Estes últimos apresentam muitas vezes regressão espontânea. 
Mastocitomas esplénicos- Localizados no baço e com um comportamento mais agressivo, sendo a neoplasia esplénica mais comum no gato.
Mastocitoma intestinal- Localizados no tubo gastrointestinal e com um fenótipo maligno.
 
 
Sintomas
 
Os mastocitomas cutâneos apresentam-se normalmente como nódulos elevados e sem pelo. Podem surgir lesões múltiplas e em placa. Os mastocitomas esplénicos e gastrointestinais apresentam geralmente envolvimento do estado geral, com perda de peso e apetite, sendo que os últimos podem também causar vómitos e diarreia. Alguns tumores podem também causar efusões abdominais.
 
 
Diagnóstico
 
O diagnóstico é normalmente feito por citologia das massas cutâneas ou citologia ecoguiada no caso dos mastocitomas esplénicos e intestinais.
O estadiamento é importante para avaliar a extensão da doença e inclui análises sanguíneas e ecografia abdominal com citologia de lesões suspeitas.
 
Tratamento
O tratamento de eleição é cirúrgico e inclui nodulectomia nas lesões cutâneas, esplenectomia (remoção do baço) ou enterectomia (resseção de parte do intestino) extensa. A utilização de quimioterapia não possui evidência médica comprovada mas é comumente usada em formas agressivas e doenças não operáveis. Protocolos à base de lomustina e vimblastina são os mais frequentemente utilizados. Os inibidores da Tirosina Quinase estão aprovados no tratamento da doença canina, embora ainda não estudos sobre a sua eficácia em gatos.
 
 
Prognóstico
 
As formas cutâneas possuem geralmente um bom prognóstico, sendo que as curas são comuns, sobretudo em lesões de baixo grau (as mais comuns), localizadas e quando removidas com amplas margens. A variante esplénica tem um prognóstico reservado sendo que, após cirurgia, se conseguem períodos prolongados livres da doença. A forma intestinal é a que geralmente apresenta o pior prognóstico.
 
 
 
Hugo Gregório, MV