Centro Hospitalar Veterinário

Linfoma canino e felino

 

Definição


 

O Linfoma é uma neoplasia maligna com origem nos linfócitos. Distingue-se da leucemia por ser uma neoplasia sólida afetando orgão sólidos como os gânglios linfáticos, baço, pele e fígado.

É uma das neoplasias mais comuns nos cães.

O linfoma não é uma doença única, mas sim um conjunto de doenças diferentes com prognósticos muito diferentes consoante o tipo de célula originalmente afetada, a localização anatómica ou o estadio da doença


 

Sintomas

Muitas vezes, o que leva o proprietário a procurar ajuda veterinária, é a deteção de gânglios linfáticos aumentados. Esta situação não é, regra geral, dolorosas, e o cão pode não exibir quaisquer outros sinais. Em casos mais avançados podem surgir a fadiga, prostração, perda de apetite, dificuldades respiratórias (linfoma mediastínico) e vómitos e diarréia (linfoma gastrointestinal).


 

Diagnóstico

O método mais simples e mais comummente utilizado é a citologia de gânglio ou orgão afetado e que permite um diagnóstico, na maior parte dos casos, em 24 h.

A biópsia de gânglio permite-nos classificar mais rigorosamente o tipo de linfoma e que pode ser útil na distinção de linfoma indolentes que não necessitam de tratamento com quimioterapia convencional.

Em casos duvidosos poderá ser necessário recorrer a técnicas de diagnóstico mais sofisticadas como o PARR e a citometria de fluxo.


 

Tratamento

O tratamento convencional do linfoma não indolente é feito mediante a utilização de fármacos citostáticos vulgarmente denominado de quimioterapia. O protocolo mais comum é o CHOP que consiste em 14 tratamentos semanais. Em medicina veterinária usamos doses mais baixas do que as regularmente usadas em medicina humana de forma a mantermos elevados níveis de qualidade de vida nos nossos pacientes. Na maior parte dos casos os efeitos secundários relatados são a diminuição ligeira de apetite acompanhada da alteração da consistência das fezes. A queda de pêlo é rara. No entanto, apesar de pouco frequentes, efeitos secundários mais graves, tais como, a septicémia, podem ocorrer e necessitar de hospitalização.


 


 

Perguntas mais frequentes:


 

A cura no linfoma canino é frequente?

Infelizmente, as curas são muito pouco frequentes, com uma percentagem de ocorrência inferior a 5 %. O facto de usarmos concentrações de fármacos mais baixa e não reccorermos a transplantes de medula contribuem para esta baixa percentagem de cura.


 

O linfoma é doloroso?

Os linfomas não são, em regra, dolorosos.


 

Se não quiser ou puder fazer quimioterapia, quais são as minhas opções?

Uma percentagem grande de linfomas responde muito favoravelmente à administração de corticosteróides (vulgar cortisona). Alguns chegam mesmo a atingir remissão (a doença “desaparece”). É importante salientar que estas respostas são de curta duração (algumas semanas) e que tornam mais difícil a resposta à quimioterapia se, mais tarde, o proprietário mudar de opinião e optar por realizar tratamentos com citotóxicos.


 

Tenho muitas dúvidas em realizar quimioterapia ao meu animal. Que devo fazer?

A resposta ao tratamento inicial é um dos principais fatores de prognóstico no tratamento de linfomas. Assim, animais que respondem favoravelmente ao 1º tratamento (medida ao fim de 5-7 dias), sem grandes efeitos secundários, são normalmente aqueles pacientes que responderão melhor a longo prazo, vivendo mais tempo e com boa qualidade de vida. Assim, e,m caso de dúvida, é muita vezes sugerido um primeiro tratamento para avaliar resposta e posteriormente decidir se o tratamento é continuado.

 

Hugo Gregório, MV