Centro Hospitalar Veterinário

Piodermatite

 

Definição:

A piodermatite é uma infeção bacteriana da pele, produzida em 90 a 95% dos casos pela bactéria Staphylococcus intermedius.  

A grande maioria de piodermatites são secundárias, sendo numerosos os fatores que predispõe à infeção: fatores físicos (traumatismos, corpos estranhos, macerações), higiene deficiente, processos infeciosos e parasitários (sarnas e dermatofitoses), doenças alérgicas, doenças autoimunes, alterações da queratinização da epiderme (seborreia) e dos folículos, doenças hormonais (hipotiroidismo, diabetes, hiperadrenocorticismo), mau maneio alimentar, malformações anatómicas. É provável que os processos parasitários e alérgicos incrementem a temperatura e humidade da pele, favorecendo a multiplicação bacteriana. Alem disso, os processos pruriginosos, induzem lesões auto infligidas que degradam a barreira cutânea, facilitando a infeção. As doenças hormonais, estando frequentemente associadas a uma imunossupressão (diminuição das defesas) com alteração da composição da barreira cutânea.

Sintomas:

Os sinais clínicos variam muito de acordo com a localização e profundidade da lesão, podendo variar de presença de pústulas (lesões semelhantes a espinhas), pápulas, prurido (comichão) leve a moderado, perda de pelo, lesões úlceradas, crostosas, dolorosas, edemaciadas, com presença de secreção purulenta e/ou sanguinolenta. Além da possibilidade de sinais sistémicos em casos graves, como anorexia (perda de apetite) e febre.

Diagnóstico:

O diagnóstico é feito baseado na história e sinais clínicos, podendo ser útil uma análise do conteúdo nas pústulas e úlceras por citologia. Em casos mais graves ou recidivantes, pode ser necessário realizar uma cultura bacteriana com antibiograma com objetivo de identificar a bactéria responsável e o antibiótico mais eficaz. Além disso deve ser investigado a causa do problema, descartando todas as doenças primárias que podem levar ao quadro de piodermatite.

Tratamento:

O tratamento é feito principalmente com o uso de substâncias anti-sépticas tópicas, que pode ser em forma de pomada, loção, spray ou champôs específicos. Geralmente é necessário associar antibiótico (injetável ou por via oral). A duração do tratamento varia de acordo com a gravidade do quadro e as causas predisponentes.

 

Sara Peneda, MV

CHV- Centro Hospitalar Veterinário

Porto